Gestão da Energia na Pessoa com Insuficiência Cardíaca - Intervenção do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação
Abstract
Enquadramento: A Insuficiência Cardíaca (IC) compromete a autonomia da pessoa devido a
sintomas como dispneia, fadiga, edemas e intolerância ao esforço, que frequentemente conduzem
à inatividade e dependência progressiva. Contudo, a evidência atual demonstra que o exercício
f
ísico, quando adaptado à condição clínica e às características individuais, é uma intervenção segura
e eficaz, capaz de melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida, mesmo após a
estabilização de episódios agudos.
Metodologia: Foi seguida uma abordagem qualitativa de investigação-ação, organizada de acordo
com as etapas do processo de enfermagem (avaliação, diagnóstico, planeamento, implementação e
avaliação). O enquadramento teórico resultou de uma revisão sistematizada da literatura nas bases
de dados PubMed e CINAHL e de bibliografia científica de suporte na área da Enfermagem de
Reabilitação. As intervenções foram orientadas pelo modelo de prescrição do exercício, com o
propósito de otimizar a funcionalidade, a qualidade de vida e o desempenho nas atividades de vida
diárias (AVDs). Para alcançar estes objetivos, foi desenvolvida uma abordagem global, centrada no
treino de exercício e adaptada às necessidades individuais de cada cliente. Os resultados foram
obtidos através da avaliação de sinais vitais, perceção subjetiva de esforço, da Medida de
Independência Funcional, da escala de London Chest Activity Daily Living e da Short Physical
Performance Battery.
Resultados/Conclusão: A participação no programa Early Rehabilitation in Cardiology – Heart
Failure (ERIC-HF) permitiu ganhos relevantes na tolerância ao esforço e na realização das AVDs,
traduzindo-se numa diminuição da fadiga e da dispneia. O plano de cuidados adequado e as
intervenções ajustadas às limitações e potencialidades de cada cliente, mostram-se eficazes na
melhoria da capacidade funcional e na promoção de maior autonomia. O estudo envolveu dois
cenários clínicos, um do sexo feminino e outro no sexo masculino, com idade respetivas de 86 e 78
anos. Em ambos, os parâmetros de execução do exercício evidenciaram evolução positiva, tal como
as avaliações de parâmetros vitais e os resultados obtidos através de instrumentos clínicos validados.
Estes factos demonstram que, mesmo em fase de agudização da IC, os clientes beneficiaram do
programa, alcançando melhorias funcionais significativas.
