Conspiração do silêncio em contextos clínicos: perceção da problemática pelos estudantes finalistas de enfermagem
Resumen
A conspiração do silêncio, trata-se da omissão deliberada de informação clínica pelo doente ou pela família ou pelos próprios profissionais de saúde, sendo um fenómeno frequente nos cuidados de saúde, especialmente em contextos de doença terminal. Este estudo teve como objetivo analisar a perceção dos estudantes de enfermagem relativamente a este fenómeno, explorando a sua compreensão, motivações associadas, impacto e estratégias de atuação.
Trata-se de um qualitativo, realizado através de entrevistas semiestruturadas a 10 estudantes do 4.º ano de licenciatura em enfermagem. As entrevistas foram analisas através do software NVivo 13, identificando-se sete temas principais: (1) Reconhecimento do conceito; (2) Testemunha de situação; (3) Motivos da conspiração do silêncio; (4) Impacto; (5) Preparação para lidar com a situação; (6) Atitude perante situação hipotética; e (7) Recomendações para lidar com a conspiração do silêncio.
Os resultados mostram que, a maioria dos estudantes reconhece o conceito, mas a compreensão permanece superficial. As motivações que levam à conspiração do silêncio mais referidas incluem medo, proteção e dificuldades de aceitação. Os participantes identificaram impactos relevantes deste fenómeno para o doente, família e profissionais, destacando perda de autonomia, sofrimento emocional e dilemas éticos. A maioria refere que está pouco preparada para lidar com estas situações, e aponta uma necessidade de maior formação teórico-prática.
Desta forma verifica-se que é essencial reforçar a discussão do fenómeno ao longo da formação dos estudantes de enfermagem promovendo práticas mais humanizadas e alinhadas com os direitos e necessidades das pessoas em fim de vida. The conspiracy of silence refers to the deliberate omission of clinical information by the patient, the family, or health professionals themselves, and is a frequent phenomenon in healthcare, especially in terminal illness contexts. This study aimed to analyze nursing students’ perceptions of this phenomenon, exploring their understanding, associated motivations, impact, and coping strategies.
This is a qualitative study conducted through semi-structured interviews with ten fourth-year undergraduate nursing students. The interviews were analyzed using NVivo 13 software, and seven main themes were identified: (1) Recognition of the concept; (2) Witnessing a situation; (3) Reasons for the conspiracy of silence; (4) Impact; (5) Preparation to deal with the situation; (6) Attitudes toward a hypothetical situation; and (7) Recommendations for dealing with the conspiracy of silence.
The results show that most students recognize the concept, although their understanding remains superficial. The most frequently mentioned motivations for the conspiracy of silence include fear, protection, and difficulties in accepting the situation. Participants identified significant impacts of this phenomenon on patients, families, and professionals, highlighting loss of autonomy, emotional suffering, and ethical dilemmas. Most students reported feeling poorly prepared to deal with such situations and emphasized the need for greater theoretical and practical training.
Thus, it is essential to strengthen the discussion of this phenomenon throughout nursing education, promoting more humanized practices aligned with the rights and needs of people at the end of life.

