Qualidade do sono após síndrome coronária aguda
Resumen
Introdução: O seu défice de sono está associado a alterações metabólicas, cognitivas e emocionais, bem como a doenças cardiovasculares. Perturbações do sono aumentam a inflamação e o stress oxidativo, contribuindo para um maior risco cardiovascular.
Objetivo: Avaliar a qualidade subjetiva do sono em pacientes após Síndrome Coronária Aguda (SCA) em reabilitação cardíaca e identificar as variáveis proditoras de diferentes dimensões do sono.
Método: Estudo observacional, transversal e quantitativo, envolvendo 279 participantes com idades entre os 34 e 79 anos, maioritariamente do sexo masculino (82,8%). Utilizou-se Inventario de Personalidade de Dez Itens, Escala de Ansiedade e Depressão, Escala de Satisfação com o Apoio Social e Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh.
Resultados: 6,8% dos participantes afirma uma qualidade do sono muito boa enquanto 59,5% define a qualidade como moderadamente boa, os restantes 9,7% e 24% definem como muito má e moderadamente má respetivamente. A idade, a escolaridade e o nível de ansiedade mostraram-se preditores significativos da qualidade do sono/modelo. Quanto à duração do sono, nenhum preditor se destacou significativamente de forma isolada. Relativamente aos distúrbios do sono, a sintomatologia ansiedade, a extraversão e os valores de BNP e de HbA1c, foram os preditores significativos. Os níveis depressão e a escolaridade são preditores significativos do consumo de medicação para o sono. Níveis de ansiedade e o traço de extraversão foram preditores significativos da disfunção diurna.
Conclusão: O sono é um evento complexo associado a diferentes dimensões sóciodemográficas, psicológicas e biológicas. Os resultados obtidos, apontam para a necessidade na monitorização da qualidade do sono em indivíduos com doença cardiovascular, acoplado a uma dinâmica de intervenção que englobe uma ação multidisciplinar para a redução de perda de qualidade de vida e agravamento do estado de saúde presente e futura. Introduction: Sleep deprivation is associated with metabolic, cognitive, and emotional changes, as well as cardiovascular disease. Sleep disorders increase inflammation and oxidative stress, contributing to a higher cardiovascular risk.
Objective: To assess the subjective quality of sleep in patients after Acute Coronary Syndrome (ACS) undergoing cardiac rehabilitation and to identify the variables that predict different dimensions of sleep.
Method: Observational, cross-sectional, quantitative study involving 279 participants aged between 34 and 79 years, mostly male (82.8%). The Ten-Item Personality Inventory, Anxiety and Depression Scale, Social Support Satisfaction Scale, and Pittsburgh Sleep Quality Index were used.
Results: 6.8% of participants reported very good sleep quality, while 59.5% defined their sleep quality as moderately good. The remaining 9.7% and 24% defined their sleep quality as very poor and moderately poor, respectively. Age, education, and anxiety level were significant predictors of sleep quality/pattern. Regarding sleep duration, no single predictor stood out significantly. Regarding sleep disorders, anxiety symptoms, extraversion, and BNP and HbA1c values were significant predictors. Depression levels and education are significant predictors of sleep medication use. Anxiety levels and extraversion were significant predictors of daytime dysfunction.
Conclusion: Sleep is a complex event associated with different sociodemographic, psychological, and biological dimensions. The results obtained point to the need to monitor sleep quality in individuals with cardiovascular disease, coupled with a dynamic intervention that encompasses multidisciplinary action to reduce loss of quality of life and worsening of present and future health status.

