Literacia em Saúde e Bem-Estar Psicológico nos Mais Velhos da Área Metropolitana do Porto
Abstract
Introdução: O envelhecimento populacional representa um dos maiores desafios contemporâneos, associado ao aumento de doenças crónicas, baixa qualidade de vida e vulnerabilidades psicológicas. A literacia em saúde emerge como determinante essencial para a gestão proativa da saúde e manutenção do bem-estar psicológico na população idosa.
Objetivo: Caracterizar o perfil sociodemográfico das pessoas idosas na Área Metropolitana do Porto, avaliar os níveis de literacia em saúde e analisar a sua relação com o bem-estar psicológico.
Método: Estudo observacional, transversal e quantitativo, com 121 participantes (65–90 anos; M = 75.79; DP = 7.04), maioritariamente do género feminino (79.3%). Aplicaram-se o HLS-EU-PT-Q16 e a EBEP-R. A análise estatística recorreu a testes não paramétricos (Mann-Whitney, Kruskal-Wallis e correlação de Spearman).
Resultados: 62.8% das pessoas idosas apresentaram literacia em saúde problemática (26.4%) ou inadequada (36.4%), com a média global considerada problemática (M = 9.69, DP = 5.39). A literacia em saúde correlacionou-se positivamente com o bem-estar psicológico total (r = .307, p < 0.01), especialmente no domínio dos cuidados de saúde (r = .394; p < .01). Diferenças significativas na literacia em saúde por habilitações literárias (H = 17.577, p = .004) e residência urbana/rural (U = 1131.000, p < .001), com níveis mais altos em urbanos e ensino superior.
Conclusão: A baixa literacia em saúde, especialmente em residentes em zonas rurais e com baixa escolaridade, compromete a autogestão da saúde e o bem-estar psicológico. A literacia nos cuidados de saúde está fortemente associada a maior autonomia, relações positivas e propósito na vida. Intervenções educativas, inclusão digital e programas comunitários direcionados a populações vulneráveis são essenciais para promover a literacia em saúde, reduzir desigualdades e favorecer o envelhecimento saudável. Introduction: Population ageing represents one of the greatest contemporary challenges, associated with the increase in chronic diseases, low quality of life, and psychological vulnerabilities. Health literacy emerges as an essential determinant for proactive health management and the maintenance of psychological well-being in the older population.
Objective: To characterize the sociodemographic profile of older people in the Porto Metropolitan Area, assess health literacy levels, and analyse their relationship with psychological well-being.
Method: Observational, cross-sectional, and quantitative study with 121 participants (aged 65–90 years; M = 75.79; SD = 7.04), predominantly female (79.3%). The HLS-EU-PT-Q16 and EBEP-R were applied. Statistical analysis used non-parametric tests (Mann-Whitney, Kruskal-Wallis, and Spearman correlation).
Results: 62.8% of older people presented problematic (26.4%) or inadequate (36.4%) health literacy, with the global mean considered problematic (M = 9.69, SD = 5.39). Health literacy correlated positively with total psychological well-being (r = .307, p < 0.01), especially in the health care domain (r = .394; p < .01). Significant differences in health literacy were found by educational qualifications (H = 17.577, p = .004) and urban/rural residence (U = 1131.000, p < .001), with higher levels among urban residents and those with higher education.
Conclusion: Low health literacy, particularly among residents in rural areas and those with low education, compromises health self-management and psychological well-being. Literacy in health care is strongly associated with greater autonomy, positive relationships, and purpose in life. Educational interventions, digital inclusion, and community programmes targeted at vulnerable populations are essential to promote health literacy, reduce inequalities, and favour healthy ageing.

