Ocorrência ambiental de inibidores da aromatase utilizados como anticancerígenos: Anastrozol, Letrozol e Exemestano - Revisão Sistemática
Abstract
Os inibidores da aromatase: anastrozol, letrozol e exemestano são amplamente utilizados no tratamento do cancro da mama hormono-dependente. O uso crescente destes fármacos, aliado à sua excreção parcial sob a forma inalterada ou como metabolitos biologicamente ativos, tem conduzido à sua identificação como contaminantes emergentes no ambiente aquático. O presente trabalho teve como objetivo analisar a ocorrência ambiental destes inibidores da aromatase, com foco nas águas residuais, águas de superfície e, quando disponível, noutras matrizes ambientais.
A metodologia envolveu a análise de estudos de monitorização ambiental e a utilização de dados de propriedades físico-químicas provenientes de bases de dados reconhecidas. Os estudos analisados indicam que o letrozol e o anastrozol são frequentemente detetados em águas residuais, evidenciando uma remoção incompleta pelos processos convencionais de tratamento. A informação disponível sobre o exemestano é mais limitada, refletindo lacunas no conhecimento relativamente à sua ocorrência ambiental. Em águas de superfície, as concentrações reportadas são geralmente inferiores às observadas em águas residuais, mas suscitam preocupações associadas à exposição crónica dos organismos aquáticos.
De modo geral, os resultados demonstram que os inibidores da aromatase apresentam persistência ambiental e potencial ecotoxicológico, embora a informação existente seja ainda fragmentada, sobretudo no que respeita a sedimentos e outras matrizes ambientais. Assim, este trabalho reforça a necessidade de monitorização contínua, do aprofundamento dos estudos de destino ambiental e da avaliação integrada do risco ecológico associado a estes fármacos. Aromatase inhibitors such as anastrozole, letrozole and exemestane are widely used in the treatment of hormone-dependent breast cancer. Their increasing consumption, combined with partial excretion in unchanged form or as biologically active metabolites, has led to their classification as emerging contaminants in the aquatic environment. The aim of this study was to evaluate the environmental occurrence of these aromatase inhibitors, focusing on wastewater, surface waters and, when available, other environmental matrices.
The methodology involved the analysis of environmental monitoring studies and the use of physicochemical properties data obtained from recognized databases. The analyzed studies indicate that letrozole and anastrozole are frequently detected in municipal wastewater, including treated effluents from wastewater treatment plants, highlighting the limited removal efficiency of conventional treatment processes. Information regarding exemestane is comparatively scarce, revealing important knowledge gaps concerning its environmental occurrence. In surface waters, reported concentrations are generally lower than those found in wastewater; however, they may still raise concerns related to chronic exposure of aquatic organisms.
Overall, the findings demonstrate that aromatase inhibitors exhibit environmental persistence and potential ecotoxicological relevance, although available data remain fragmented, particularly regarding sediments and other environmental matrices. Therefore, this work emphasizes the need for continuous monitoring, further investigation of environmental fate and a more comprehensive assessment of the ecological risks associated with aromatase inhibitors.

