Efeito dos Polifenóis do Chá Verde na Modulação do Stress Oxidativo em Modelos de Doença de Alzheimer
Resumen
A doença de Alzheimer (DA) é a doença neurodegenerativa mais comum associada a demência, sendo neuropatologicamente caracterizada por deposição de beta-amilóide (Aβ), fosforilação tau anormal, neuroinflamação crónica e disfunção mitocondrial. O stress oxidativo (SO) é o mecanismo comum desses processos. O cérebro é particularmente vulnerável ao stress oxidativo devido ao seu elevado consumo de oxigénio, à abundância de lípidos poli-insaturados nas membranas neuronais e a uma capacidade antioxidante relativamente limitada. O stress oxidativo assume, assim, um papel central na fisiopatologia da DA, não apenas como consequência do processo neurodegenerativo, mas como um fator ativo que amplifica a disfunção mitocondrial, a inflamação crónica e a perda neuronal progressiva.
A presente revisão analisa criticamente a literatura sobre polifenóis de chá verde (incluindo epigalocatequina-3-galato (EGCG)) e SO com relação aos dados in vitro , in vivo e clínicos na DA.
Em modelos pré-clínicos, o EGCG apresenta vários mecanismos de ação :
1) Eliminação direta de espécies reativas de oxigénio (ERO)
2) Ativação de vias antioxidantes endógenas, nomeadamente Nrf2/ARE,
3) inibição de vias pró-inflamatórias, como NF-κ B,
4) Modulação de vias de sinalização celular, incluindo PI3K/Akt e AMPK,
5) Indução de processos autofágicos associados à remoção de proteínas mal conformadas (reduz a agregação de Aβ e tau.)
Estes efeitos moleculares têm sido associados a diminuição do dano oxidativo, declínio na neuroinflamação e melhoria do desempenho cognitivo de modelos animais. No entanto, os dados clínicos são limitados, baseados em estudos de pequena dimensão e não homogéneos. Os principais obstáculos translacionais estão relacionados com a baixa biodisponibilidade oral, metabolismo hepático rápido e má penetração através da barreira hematoencefálica, o que pode contribuir para os resultados heterogéneos da evidência clínica.
A evidência científica sugere que o EGCG pode ser considerado um potencial agente terapêutico neuroprotetor multialvo com aplicações de tradução, mas inovações farmacêuticas (nano formulações, sistemas de transporte lipossomais, entrega trans-BHE direcionada), ensaios clínicos rigorosos em larga escala e biomarcadores validados de SO e neuroinflamação, são essencialmente necessários para melhorar o sucesso dos ensaios clínicos. Estratégias de intervenção combinadas, integrando o EGCG com outros compostos bioativos, modificações no estilo de vida e abordagens preventivas precoces; parecem mais promissoras do que a monoterapia. Do ponto de vista das ciências farmacêuticas, estes resultados apoiam o papel no aconselhamento ao doente, avaliação da segurança, desenvolvimento de formulações e investigação translacional multidisciplinar.

