Satisfação Profissional dos Enfermeiros Perioperatórios: Relação com a Qualidade dos Cuidados num Bloco Operatório. Estudo descritivo correlacional
Abstract
Enquadramento: O Bloco Operatório é um local de trabalho complexo e com
especificidades próprias, exigindo aos seus profissionais uma combinação de
habilidades
técnicas,
conhecimentos
especializados,
competências
interpessoais e capacidade de lidar com situações de alta pressão para uma
prestação de cuidados aos seus clientes com qualidade e segurança. A
satisfação profissional dos enfermeiros do Bloco Operatório pode ter impacto na
qualidade dos cuidados de enfermagem prestados, pelo que carece de
investigação constante. Conhecendo os fatores promotores da satisfação
profissional e o grau dessa mesma satisfação numa determinada realidade, será
possível delinear medidas específicas para esse contexto.
Objetivo: Conhecer o grau de satisfação profissional dos enfermeiros de um
Bloco Operatório Central e a sua relação com a perceção dos processos de
qualidade assistencial nesse contexto.
Metodologia: Estudo assente na metodologia quantitativa, do tipo descritivo
correlacional, com uma amostra não probabilística por conveniência de 87
enfermeiros que exercem funções no Bloco Operatório. Foram excluídos todos
os profissionais a exercerem funções há menos de seis meses. Foi utilizado um
questionário de autopreenchimento composto por três partes – caracterização
socioprofissional; a Escala da Satisfação dos Enfermeiros com o Trabalho de
Ana João; e a escala Processos de Qualidade Assistencial no Bloco Operatório
de José Gomes.
Resultados: A satisfação profissional dos enfermeiros global foi moderada (2,7).
As dimensões relacionadas com a valorização e remuneração apresentam os
valores mais baixos; as dimensões relacionadas com a valorização profissional,
relações com os colegas e as dotações foram as mais elevadas. A perceção
global com os processos da qualidade assistencial no Bloco Operatório foi média
(3,8), destacando-se o controlo e segurança como a dimensão com maior
perceção de qualidade, seguida do trabalho em equipa, sendo as estratégias de
suporte as mais baixas. Verificou-se uma relação linear fraca e positiva entre a
satisfação profissional e a perceção da qualidade dos cuidados.
Conclusão: O conhecimento sobre o grau de satisfação dos enfermeiros com o
trabalho no Bloco Operatório e a sua relação com os processos de qualidade
assistencial constitui um contributo relevante para o planeamento dos cuidados
e para uma gestão eficaz dos recursos humanos. Estes resultados sugerem a
necessidade de delinear estratégias que promovam simultaneamente a
satisfação profissional e a qualidade dos cuidados, com especial atenção às
dimensões mais críticas, como a valorização e a remuneração. Adicionalmente,
reforça-se a importância da melhoria contínua dos processos e da atualização
dos protocolos institucionais, visando ganhos em segurança e qualidade
assistencial.

